Um caminho

Há alguns meses não posto nada novo no blog, pois estive lutando para encontrar um caminho de vida. Tenho participado de rodas de conversas sobre suicídio e falar abertamente sem julgamento ou interrupções sobre toda essa bagunça dentro de mim tem me ajudado a organizar o pensamento e aliviar o peso de carregar essas histórias.

Sempre pensei que se dizer algo em voz alta, isso se torna oficial, por isso sempre que algo ruim acontece comigo evito a todo custo dizer em voz alta. Durante as rodas de conversa ouvi  minha própria voz contando as minhas dores e isso me deu um alivio, como se estivesse prendendo a respiração e nunca tivesse percebido.

Meus últimos posts falavam um pouco sobre minha relação toxica com um amigo que inicialmente me guiou para a casa de Deus, mas aos poucos me vi como serva deste amigo, bobamente apaixonada e com medo de que ele se afastasse de mim.

Nos últimos dias tivemos brigas terríveis que me levaram ao completo desespero, no auge da minha angustia enviei muitas mensagens pra ele, o que o levou a me dizer coisas horríveis que fizeram eu me sentir despedaçada.

Após horas incontáveis de choro vi um caminho sem ele, tenho tentado seguir este caminho. Estranhamente me sinto quebrada, pois o caminho natural pra mim é o suicídio, mas por causa destas rodas de conversa não consigo ver esse caminho com clareza.

Vi um caminho de vida e decidi seguir por ele, mas ele exige sacrifício, luta, determinação e fé, muita fé.

Vou andar por este caminho até onde minhas forças me levarem e desejo que elas me levem até a vitória. Pra mim a vitória é quando alcançar o objetivo ter um novo ao invés de um ponto final.

Ainda penso que tudo seria mais fácil se eu tivesse morrido em setembro de 2017, mas desta vez vou fazer do modo difícil.

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Eu não tive escolha?

Na segunda feira da semana em que meu pai se matou ele amarrou uma corda em um pilar da área dos fundas da nossa casa, minha mãe me aconselhou a fingir que estava dormindo enquanto estivesse sozinha em casa com ele, pois ele não estava agindo normalmente. Ele falava sozinho e tinha explosões de raiva, a todo o momento dizia que iria se matar. Estávamos apenas nos dois em casa, era uma manha quente de dezembro, eu fingia que dormia e ouvia ele andando nervoso pela casa, ela abriu a porta do quarto onde eu estava e me olhou chorando muito, então ele entrou no quarto e me pegou no colo, me levou até local onde ele havia amarrado a corda e colocou ela envolta do meu pescoço, me abraçou e chorou muito, então tirou a corda me levou para o quarto e me deitou na cama, então saiu batendo as portas e portões. Fiquei deitada por algum tempo sem pensar em nada,  levantei e fui até a porta dos fundos parei e olhei por alguns minutos a porta fechada e não tive coragem de abrir e ver a verdade, meu pai tentou me matar. Os dias que vieram foram muito tumultuados, cheios de brigas, choros e ameaças, ninguém tentou tirar aquela corda de lá e eu não contei pra ninguém o que tinha acontecido. Ele disse pra todas as pessoas a volta dele que ele iria se matar, ninguém acreditou, todos diziam que ele só queria fazer drama. Na sexta feira minha mãe me fez deitar para dormir antes do sol se por, ele estava agitado, falando sozinho, chorando e gritando. As dez horas da noite minha irmã mais velha chegou em casa e os dois começaram a discutir, então ele começou a bater nela e minha mãe e eu levantamos e corremos até eles, quando chegamos ele estava apertando o pescoço da minha irmã, ela quase não conseguia respirar, então ele parou e foi em direção a minha mãe, minha irmã pulo nas costas dele e puxou ele pra trás, ele jogou ela no chão e disse: “Você quer que eu me mate?”, ela responde: “Eu prefiro que você morra”. Ele saiu andando em direção a porta dos fundos, eu o segui. Minha mãe seguiu minha irmã que foi para o quarto dela arrumar as malas para sair de casa. Eu fiquei observando meu pai, ele subiu em banco, colocou a corda envolta do pescoço dele, me olhou por um instante e derrubou o banco. O corpo dele balançava lentamente como o pendulo de um relógio e ele me olhava fixamente, olhei ao redor estava escuro e havia uma mesa com uma faca e uma tesoura e uma voz me perguntou se eu iria salva lo, eu olhei pra ele e respondi: “Vai ser melhor assim”. Ele continuou me olhando por alguns minutos, nenhuma vez ele tentou se desvencilhar da forca e então ele morreu. Eu tive escolha?

Veneno

Á alguns anos estava como toda a mulher preocupada com meu peso, então comecei a ler blogs e artigos, enfim tudo que conseguia encontrar sobre como atingir o peso ideal para a minha altura e idade. Encontrei um artigo intitulado “Veneno de rato ajuda a emagrecer”, meu lado doente e suicida ficou excitado e meu lado relativamente sadio curioso, juntos lemos todo o artigo em busca da dose de veneno que ajudaria a emagrecer. O artigo contava a história de uma mulher que comprou medicação ilegalmente e conseguiu emagrecer, porém não conseguiu ter saúde para aproveitar isso, na realidade a “medicação” a deixou grogue e com deficit de atenção, mas claro a deixou viciada ela acreditava que precisava  continuar tomando a medicação. A família dela decidiu enviar a medicação a um laboratório e descobrir o que era aquela medicação e descobriu que um dos ingredientes usados para fabricação também era usado para fabricar veneno de rato, ou seja, veneno de rato não ajuda a emagrecer. O artigo claramente foi mau intitulado, como sempre li os comentários e vários deles eram de mulheres perguntando qual a quantidade segura de veneno que deveriam tomar para emagrecer, logo percebi um padrão de preguiça perigosa, pois se tivessem lido o artigo saberiam o quanto a pergunta era estupida. Por fim fiz alguns comentários sobre o quanto o artigo era perigoso e meu lado suicida tomou conta do meu ser e passei a tomar veneno de rato regularmente em busca da dose fatal, por meses tomei veneno e urinei sangue, meu estomago ficou todo bugado e acabei desistindo de encontrar a dose, pois já tinha tomado mais de três pacotes de veneno e nem sinal de morrer. Como é possível tomar tanto veneno e não morrer eu não sei, mas acredito que seja castigo, sobreviver dias apos dia como se nunca fosse morrer e nem conseguir viver plenamente.

Só quero que acabe

Nesta mesma época no ano passado estava me preparando para cometer suicídio em setembro. É estranho estar aqui sobrevivendo dia após dia, sem viver um minuto se quer. Estava muito mais viva e disposta ano passado enquanto preparava a tentativa, do que hoje sobrevivendo.

Só quero que isso acabe.

Não tenho sonhos, amores ou sabores. Só tenho dor e frustração. Não tenho dinheiro nem amigos, completamente só neste apartamento que não tem onde amarrar uma corda pra poder me enforcar. Sem grana pra comprar comida minha esperança é morrer de fome.

Só quero que isso acabe.

Conheci um cara que me deslumbra, ele sabe disso, desconfio que seja um sociopata, ele me fez pedir dinheiro pra última pessoa que ainda tenta me ajudar e agora fiquei sem nada. Até que ponto fiz isso para não ter desculpas de que alguém ainda se importa e poder me matar sabendo que não tenho mais nada?

Até que ponto meu anseio por ter um companheiro me faz acreditar na ilusão de que eu o amo e que estou lutando pra conquista lo?

Só quero que isso acabe.

Acho que ele vai me contar que conheceu alguém. Não quero sentir essa dor, não quero viver essa humilhação. Não quero mais sobreviver.

Só quero que isso acabe.

Novo plano

Estou me iludindo, enxergando sinais que não existem, buscando explicações mágicas e religiosas para ter esperança de ser correspondida por alguém que sempre deixou claro que não se sente atraído por mim.

Até que ponto eu me deixo iludir pra ter uma desculpa pra tentar me matar?

Até que ponto estou desesperada por atenção e deslumbrada por receber tanta atenção de homem tão bonito?

Antes do  eu pai cometer suicídio eu já pensava e até mesmo já havia tentado, as desde que ele se enforcou sempre tive comigo que não me mataria desta forma.

Seria este o momento de abandonar a ideia de que se não me enforcar não estarei seguindo os passos do meu pai?

Tenho pensado muito em me enforcar e em me jogar de um local muito alto, na região onde estou é muito comum pessoas morrerem por se jogar do estacionamento dos shopping.

Quando amanhecer vou procurar um local que venda chumbinho, pois também é muito comum pessoas morrerem e até mesmo matarem com esta substancia.

Eu só quero que isso acabe.

Saída de emergência.

 

Brincando de casinha

Há alguns meses decidi por fim a minha vida. Depois de muito planejamento executei um plano suicida que não resolveu meu problema. Após uma internação domiciliar para fugir da minha família e amigos mudei de estado. Aqui nesta terra de estranhos conheci várias pessoas em situação parecida, por algum motivo tiveram que deixar pra trás tudo, família, amigos e emprego. Todos estamos muito sozinhos, mas nem uma única vez chorei, não consigo, mas confesso que as vezes fico com um nó na garganta. Entre estes solitários encontrei um homem lindo, Deus como ele é bonito, no começo o rejeitei e me forcei a vê lo como alguém arrogante e ruim, mas quis o destino que uma noite, depois de beber um pouco, acabamos por nos aproximar. De alguma forma ele baixou minha guarda e acabei contando meu pior segredo e para minha imensa surpresa ele foi acolhedor. Alguns dias depois o universo conspirou outra vez e me vi diante dele contando meus segredos íntimos e novamente ele foi acolhedor, desde então me tornei serva dele.

Nossa que horror, serva? Sim, serva.

Qualquer coisa que ele me pede eu faço, sem questionar. Ele me pediu para fazer o financiamento de um carro que nem nos meu sonhos poderia pagar e eu concordei. ele fez um cartão de crédito no meu nome e eu assinei. Ele comprou um IPhone no meu nome e eu paguei a entrada.

Não tenho nenhum controle desta situação, enquanto escrevo este post ele veio até mim e pediu para ver um roteador pra ele. Por influência dele e principalmente pela ilusão tosca e ridícula que tenho de que em algum momento ele vai se interessar por mim, concordei em entregar o quarto que alugava e viver de favor no apartamento dele, faz menos de uma semana isso e ele me convenceu de que poderia ficar aqui até organizar minha vida financeira, mas a poucos minutos ele me informou que os pais evangélicos dele estão vindo visita lo e que não vão aceitar que eu esteja aqui, pois isso é pecado e que preciso achar um lugar pra ficar.

Quando fizemos o financiamento do carro ele me disse que o carro e o seguro estavam no meu nome, porém no próximo final de semana vou viajar para visitar minha família e pedi o carro emprestado, então descobri que o carro esta no nome do antigo dono e que o seguro esta apenas no nome dele, ou seja, ele mentiu.

Estou na casa dele limpando e passando, brincando de casinha, enquanto me iludo que de alguma forma um milagre, algo sobrenatural vai acontecer e ele vai se apaixonar por mim. Todos a minha volta estão me avisando sobre o erro que estou cometendo, é tão fácil pra ele se desfazer de mim, ele nunca demonstra sentir  a menor atração que seja, quando peço algo ele ignora e me chama de boba. Eu sou ridícula e desesperada por atenção. A pior parte é que ele me conta os planos dele para o futuro, onde ele sempre me inclui, ele me envia mensagens e as vezes me diz pessoalmente que ele confia demais em mim e que sente um carinho especial por mim, mas a verdade é que sou útil por enquanto e que não vai fazer a menor diferença pra ele quando chegar o momento de me descartar. Eu entrei nesta situação e me mantenho nela consciente, pois minha tendencia auto destrutiva vê nesta situação patética a possibilidade de um novo plano suicida.

Eu sou ridícula, patética e uma vergonha pra mim mesma.

Sem efeito

Estou muito triste, pois tomei mais de 12 pacotes de Mortein Pro Raticida e não aconteceu nada. Me pergunto porque Deus faz isso, porque ele quer que eu sobreviva sem viver.

Tento viver, faço exercícios, vou a lugares novos, nunca me queixo as pessoas a minha volta, frequento a igreja, leio a bíblia e tento ser gentil e respeitar todos a minha volta, mas nada é o suficiente. A todo o momento me vejo em situações onde tenho que esticar ao máximo minha capacidade de amar e perdoar. Por mais que evite ficar remoendo o passado sempre tenho fantasmas a minha volta.

Me isolo e me forço a focar na realidade, evito de todas as formas ter fantasias e isso acaba me impedindo de sonhar.

Parece que quanto mais tenho medo de algo, mais próximo isso fica de mim e quando  oro implorando, suplicando a Deus que me livre de passar por algo ele sempre me faz passar por isso.

Se Deus é real ele esta se divertindo muito hoje assistindo a minha decepção por o veneno não ter efeito nenhum.

Ele me abandonou ou esta me testando?

A pouco mais de uma semana senti uma necessidade intensa de me conectar com Deus, desde então tenho tentado ir a igreja. No primeiro domingo fui á igreja católica próxima a minha casa. Acordei bem cedo, tomei café da manhã em silêncio, me arrumei e até passei perfume. Sentia como se fosse um encontro, estava indo encontrar um velho amigo e fazer as pazes. Cheguei na igreja alguns minutos antes da missa começar e me deparei com algo inesperado. A igreja estava de férias. Senti como se Deus tivesse me dado um fora, totalmente rejeitada.

Não consegui assimilar o que estava acontecendo e me senti envergonhada demais para voltar pra casa, então andei algumas quadras sem rumo. Neste dia um amigo muito religioso me convidou para comer pizza, ainda não nos conhecíamos muito bem e não tínhamos muita intimidade, mesmo assim eu precisava desabafar e contei o quão frustrada e envergonhada estava com aquela situação. Alguns dias depois este mesmo amigo me convidou para ir na igreja batista, que ele frequenta. Aceitei o convite, no dia marcado me arrumei e esperei por ele, refleti o dia todo sobre o que esperar da igreja e com uma certa expectativa de me conectar com os membros da igreja, criar um vinculo, entrar na comunidade, fazer parte de algo. Porém, houve um imprevisto no trabalho do meu amigo e ele não pode ir na igreja aquele dia. Foi então que uma voz me disse:”É tarde demais.”.

Agora esta dúvida me assombra, Deus me abandonou? É tarde demais para tentar fazer as pazes? Ou estaria ele me testando? O quão disposta estou em busca lo?

Estou sentada no corredor de um prédio em chamas olhando a saída de emergência. Devo ou não sair por ela?

Pra mim o suicídio é sempre uma opção.

Esperança

Desde a última tentativa de suicídio tenho apenas passado meus dias, sem planos, sem perspectiva, sem desejos ou sonhos, apenas passando o tempo sem prestar atenção em nada e dizendo a meus amigos e familiares que me sinto melhor e que tenho esperança de que coisas boas viram. Á pouco mais de um mês mudei de estado com a intenção de ficar longe da minha família, principalmente minha mãe e irmã. Neste local onde vivo à muitas pessoas que como eu tiveram um momento muito difícil na vida e tiveram que começar novamente, são pessoas atravessando o deserto da incerteza e cada um tem sua cota de tristeza e decepção, cada um tem um motivo para continuar. Nunca gostei de comparar a minha dor com as dos outros, pois somente quem esta sentindo é capaz de perceber a dimensão da sua própria dor, se por algum ponto de vista meus problemas parecem maiores ou menores que dos outros não me dou o direito de julga los. Semana passada enviei uma mensagem a um amigo que conheci neste local e ele me respondeu com um áudio onde ele explicava que estava na igreja ouvindo a palavra de alguém que ele admirou muito e neste áudio ele falava com tanta fé e alegria que não consegui prestar atenção ao o que ele dizia, pois o fervor das palavras dele me tocaram profundamente, me fazendo perceber que desde a última tentativa de suicídio fiquei com raiva de Deus, me senti rejeitada por ele, muitas vezes sozinha neste quarto frio perguntei a ele “O que estou fazendo aqui?” , mas aquela alegria que meu amigo sentiu, por causa da fé dele mexeu comigo e me fez ver o quanto sinto falta de acreditar em Deus, de fazer as pazes com ele. Decidi procurar uma igreja e fazer parte de uma religião. Quase em frente ao local onde moro á uma igreja católica, fui até lá e vi o dia e horário da missa e no domingo pela manhã fui até lá para enfim me encontrar com Deus e fazer as pazes, mas havia um recado na porta da igreja informando que ela estava de férias e que não haveria missa. Senti como se Deus tivesse me dado um bolo, mais rejeitada do que nunca, simplesmente achei que não fosse real, não poderia ser real, mas sim, a igreja fechou as portas pra mim. Passei todo o domingo andando pela cidade tentando entender o que tinha acontecido, se seria tarde demais pra mim, se havia algum sentido em tudo isso. Então o mesmo amigo me convidou para sair, fomos apenas nos dois(algo que não costuma acontecer) a uma pizzaria. Estava tão abalada com o que tinha acontecido que acabei contando tudo pra ele, sobre o áudio, minha tentativa de suicídio, minha tentativa de fazer as pazes com Deus e como me sentia idiota por estar passando por isso e desabafando com ele. A empatia dele me fez sentir muita esperança de que alguma coisa boa virá até mim, me fez querer tentar me aproximar de Deus outra vez e adiar o novo plano suicida. Sim, eu ainda penso em me matar, mas pela primeira vez eu quero tentar viver um pouco antes de planejar.

Vida após a morte

Antes de todas as minhas tentativas de suicídio me perguntei se haveria vida após a morte e se houvesse quais seriam as consequências. A verdade é que acredito que existe vida após a morte e que independente de conseguir morrer após uma tentativa de suicídio ou não, terei que responder por todas as minhas tentativas, mas não importa o quanto leia sobre isso, o quanto pessoas espiritualizadas e religiosas me falem sobre isso não tenho vida em mim, não tenho disposição ou sonhos, os dias não fazem diferença. A verdade é que já estou morta, mas ainda estou aqui passando pelos dias sem perspectivas.

Seja o que for que venha depois já estou em sofrimento e não faz sentido continuar aqui. Tenho buscado conhecer melhor a filosofia espirita e acredito que de alguma forma tenho que evoluir meu espirito para cumprir o tempo determinado pra mim aqui neste plano e poder partir.

O meu objetivo de vida é morrer.

Nem cá, nem lá

Eu fugi de tudo e de todos, queria ficar sozinha, pois estava me sentindo sufocada. Agora longe de tudo me sinto mais só do que nunca e não tenho vontade de ver ou falar com ninguém que eu realmente conheça, só falo com desconhecidos. O que tem de errado comigo?