Eu não tive escolha?

Na segunda feira da semana em que meu pai se matou ele amarrou uma corda em um pilar da área dos fundas da nossa casa, minha mãe me aconselhou a fingir que estava dormindo enquanto estivesse sozinha em casa com ele, pois ele não estava agindo normalmente. Ele falava sozinho e tinha explosões de raiva, a todo o momento dizia que iria se matar. Estávamos apenas nos dois em casa, era uma manha quente de dezembro, eu fingia que dormia e ouvia ele andando nervoso pela casa, ela abriu a porta do quarto onde eu estava e me olhou chorando muito, então ele entrou no quarto e me pegou no colo, me levou até local onde ele havia amarrado a corda e colocou ela envolta do meu pescoço, me abraçou e chorou muito, então tirou a corda me levou para o quarto e me deitou na cama, então saiu batendo as portas e portões. Fiquei deitada por algum tempo sem pensar em nada,  levantei e fui até a porta dos fundos parei e olhei por alguns minutos a porta fechada e não tive coragem de abrir e ver a verdade, meu pai tentou me matar. Os dias que vieram foram muito tumultuados, cheios de brigas, choros e ameaças, ninguém tentou tirar aquela corda de lá e eu não contei pra ninguém o que tinha acontecido. Ele disse pra todas as pessoas a volta dele que ele iria se matar, ninguém acreditou, todos diziam que ele só queria fazer drama. Na sexta feira minha mãe me fez deitar para dormir antes do sol se por, ele estava agitado, falando sozinho, chorando e gritando. As dez horas da noite minha irmã mais velha chegou em casa e os dois começaram a discutir, então ele começou a bater nela e minha mãe e eu levantamos e corremos até eles, quando chegamos ele estava apertando o pescoço da minha irmã, ela quase não conseguia respirar, então ele parou e foi em direção a minha mãe, minha irmã pulo nas costas dele e puxou ele pra trás, ele jogou ela no chão e disse: “Você quer que eu me mate?”, ela responde: “Eu prefiro que você morra”. Ele saiu andando em direção a porta dos fundos, eu o segui. Minha mãe seguiu minha irmã que foi para o quarto dela arrumar as malas para sair de casa. Eu fiquei observando meu pai, ele subiu em banco, colocou a corda envolta do pescoço dele, me olhou por um instante e derrubou o banco. O corpo dele balançava lentamente como o pendulo de um relógio e ele me olhava fixamente, olhei ao redor estava escuro e havia uma mesa com uma faca e uma tesoura e uma voz me perguntou se eu iria salva lo, eu olhei pra ele e respondi: “Vai ser melhor assim”. Ele continuou me olhando por alguns minutos, nenhuma vez ele tentou se desvencilhar da forca e então ele morreu. Eu tive escolha?

Anúncios

Veneno

Á alguns anos estava como toda a mulher preocupada com meu peso, então comecei a ler blogs e artigos, enfim tudo que conseguia encontrar sobre como atingir o peso ideal para a minha altura e idade. Encontrei um artigo intitulado “Veneno de rato ajuda a emagrecer”, meu lado doente e suicida ficou excitado e meu lado relativamente sadio curioso, juntos lemos todo o artigo em busca da dose de veneno que ajudaria a emagrecer. O artigo contava a história de uma mulher que comprou medicação ilegalmente e conseguiu emagrecer, porém não conseguiu ter saúde para aproveitar isso, na realidade a “medicação” a deixou grogue e com deficit de atenção, mas claro a deixou viciada ela acreditava que precisava  continuar tomando a medicação. A família dela decidiu enviar a medicação a um laboratório e descobrir o que era aquela medicação e descobriu que um dos ingredientes usados para fabricação também era usado para fabricar veneno de rato, ou seja, veneno de rato não ajuda a emagrecer. O artigo claramente foi mau intitulado, como sempre li os comentários e vários deles eram de mulheres perguntando qual a quantidade segura de veneno que deveriam tomar para emagrecer, logo percebi um padrão de preguiça perigosa, pois se tivessem lido o artigo saberiam o quanto a pergunta era estupida. Por fim fiz alguns comentários sobre o quanto o artigo era perigoso e meu lado suicida tomou conta do meu ser e passei a tomar veneno de rato regularmente em busca da dose fatal, por meses tomei veneno e urinei sangue, meu estomago ficou todo bugado e acabei desistindo de encontrar a dose, pois já tinha tomado mais de três pacotes de veneno e nem sinal de morrer. Como é possível tomar tanto veneno e não morrer eu não sei, mas acredito que seja castigo, sobreviver dias apos dia como se nunca fosse morrer e nem conseguir viver plenamente.

Tem dias que…

Todos os dias eu oro pedindo a Deus que tenha sido o último dia, que não tenha que acordar amanhã.

Dedilhando

ceu_cinza

Tem dias que o que a gente mais queria era ter um buraco para se enfiar. Um buraco escondido, escuro e silencioso, onde a gente tivesse a certeza de estar protegido de tudo e de todos. Onde ninguém no mundo pudesse nos achar. Onde nossa única companhia seria os nossos pensamentos.

Tem dias que a gente acorda com vontade de continuar dormindo. Que a gente levanta com vontade de continuar deitado. Que a gente caminha com vontade de estar paralisado. São dias difíceis, onde a gente faz tudo o que não queria estar fazendo, fala tudo que não queria estar falando e vive tudo o que a gente não queria estar vivendo.

Tem dias que a vontade de gritar é tanta que a sensação é que se a gente não gritar, vamos explodir de dentro pra fora. Sensação de que se a gente não gritar, ninguém vai nos enxergar e…

Ver o post original 253 mais palavras

Ele me abandonou ou esta me testando?

A pouco mais de uma semana senti uma necessidade intensa de me conectar com Deus, desde então tenho tentado ir a igreja. No primeiro domingo fui á igreja católica próxima a minha casa. Acordei bem cedo, tomei café da manhã em silêncio, me arrumei e até passei perfume. Sentia como se fosse um encontro, estava indo encontrar um velho amigo e fazer as pazes. Cheguei na igreja alguns minutos antes da missa começar e me deparei com algo inesperado. A igreja estava de férias. Senti como se Deus tivesse me dado um fora, totalmente rejeitada.

Não consegui assimilar o que estava acontecendo e me senti envergonhada demais para voltar pra casa, então andei algumas quadras sem rumo. Neste dia um amigo muito religioso me convidou para comer pizza, ainda não nos conhecíamos muito bem e não tínhamos muita intimidade, mesmo assim eu precisava desabafar e contei o quão frustrada e envergonhada estava com aquela situação. Alguns dias depois este mesmo amigo me convidou para ir na igreja batista, que ele frequenta. Aceitei o convite, no dia marcado me arrumei e esperei por ele, refleti o dia todo sobre o que esperar da igreja e com uma certa expectativa de me conectar com os membros da igreja, criar um vinculo, entrar na comunidade, fazer parte de algo. Porém, houve um imprevisto no trabalho do meu amigo e ele não pode ir na igreja aquele dia. Foi então que uma voz me disse:”É tarde demais.”.

Agora esta dúvida me assombra, Deus me abandonou? É tarde demais para tentar fazer as pazes? Ou estaria ele me testando? O quão disposta estou em busca lo?

Estou sentada no corredor de um prédio em chamas olhando a saída de emergência. Devo ou não sair por ela?

Pra mim o suicídio é sempre uma opção.

Esperança

Desde a última tentativa de suicídio tenho apenas passado meus dias, sem planos, sem perspectiva, sem desejos ou sonhos, apenas passando o tempo sem prestar atenção em nada e dizendo a meus amigos e familiares que me sinto melhor e que tenho esperança de que coisas boas viram. Á pouco mais de um mês mudei de estado com a intenção de ficar longe da minha família, principalmente minha mãe e irmã. Neste local onde vivo à muitas pessoas que como eu tiveram um momento muito difícil na vida e tiveram que começar novamente, são pessoas atravessando o deserto da incerteza e cada um tem sua cota de tristeza e decepção, cada um tem um motivo para continuar. Nunca gostei de comparar a minha dor com as dos outros, pois somente quem esta sentindo é capaz de perceber a dimensão da sua própria dor, se por algum ponto de vista meus problemas parecem maiores ou menores que dos outros não me dou o direito de julga los. Semana passada enviei uma mensagem a um amigo que conheci neste local e ele me respondeu com um áudio onde ele explicava que estava na igreja ouvindo a palavra de alguém que ele admirou muito e neste áudio ele falava com tanta fé e alegria que não consegui prestar atenção ao o que ele dizia, pois o fervor das palavras dele me tocaram profundamente, me fazendo perceber que desde a última tentativa de suicídio fiquei com raiva de Deus, me senti rejeitada por ele, muitas vezes sozinha neste quarto frio perguntei a ele “O que estou fazendo aqui?” , mas aquela alegria que meu amigo sentiu, por causa da fé dele mexeu comigo e me fez ver o quanto sinto falta de acreditar em Deus, de fazer as pazes com ele. Decidi procurar uma igreja e fazer parte de uma religião. Quase em frente ao local onde moro á uma igreja católica, fui até lá e vi o dia e horário da missa e no domingo pela manhã fui até lá para enfim me encontrar com Deus e fazer as pazes, mas havia um recado na porta da igreja informando que ela estava de férias e que não haveria missa. Senti como se Deus tivesse me dado um bolo, mais rejeitada do que nunca, simplesmente achei que não fosse real, não poderia ser real, mas sim, a igreja fechou as portas pra mim. Passei todo o domingo andando pela cidade tentando entender o que tinha acontecido, se seria tarde demais pra mim, se havia algum sentido em tudo isso. Então o mesmo amigo me convidou para sair, fomos apenas nos dois(algo que não costuma acontecer) a uma pizzaria. Estava tão abalada com o que tinha acontecido que acabei contando tudo pra ele, sobre o áudio, minha tentativa de suicídio, minha tentativa de fazer as pazes com Deus e como me sentia idiota por estar passando por isso e desabafando com ele. A empatia dele me fez sentir muita esperança de que alguma coisa boa virá até mim, me fez querer tentar me aproximar de Deus outra vez e adiar o novo plano suicida. Sim, eu ainda penso em me matar, mas pela primeira vez eu quero tentar viver um pouco antes de planejar.

Vida após a morte

Antes de todas as minhas tentativas de suicídio me perguntei se haveria vida após a morte e se houvesse quais seriam as consequências. A verdade é que acredito que existe vida após a morte e que independente de conseguir morrer após uma tentativa de suicídio ou não, terei que responder por todas as minhas tentativas, mas não importa o quanto leia sobre isso, o quanto pessoas espiritualizadas e religiosas me falem sobre isso não tenho vida em mim, não tenho disposição ou sonhos, os dias não fazem diferença. A verdade é que já estou morta, mas ainda estou aqui passando pelos dias sem perspectivas.

Seja o que for que venha depois já estou em sofrimento e não faz sentido continuar aqui. Tenho buscado conhecer melhor a filosofia espirita e acredito que de alguma forma tenho que evoluir meu espirito para cumprir o tempo determinado pra mim aqui neste plano e poder partir.

O meu objetivo de vida é morrer.

Nem cá, nem lá

Eu fugi de tudo e de todos, queria ficar sozinha, pois estava me sentindo sufocada. Agora longe de tudo me sinto mais só do que nunca e não tenho vontade de ver ou falar com ninguém que eu realmente conheça, só falo com desconhecidos. O que tem de errado comigo?

Minha mãe é horrível

É horrível dizer isso da própria mãe, mas é verdade minha mãe nunca conversou comigo, sempre que tentei dizer como me sentia ela dizia que era bobagem e que não deveria pensar nisso, que deveria esquecer e nunca pensar no assunto. Minha mãe nunca apoiou nada do que fiz, nunca me deu um conselho, jamais me defendeu. Sofri muitas agressões ao longo da minha vida, principalmente na infância e ela nunca me protegeu. Ela sabia que eu sofria vários tipos de abuso aos quatro anos e não fez nada pra me proteger. Minha mãe só me dá dinheiro.

Você pode por a culpa em mim

Conforme a vida vai passando

eu começo a aprender mais e mais sobre responsabilidade

E percebo que tudo aquilo que eu faço

Atinge as pessoas ao meu redor

Então eu quero aproveitar esse tempo

para me desculpar pelas coisas que eu fiz

Coisas que não ocorreram ainda

e coisas pelas quais eles não querem ter responsabilidade

Se eu não puder me desculpar por agir errado

Então é uma vergonha para mim

Eu serei a razão da sua dor

E você pode botar a culpa em mim

Trechos de Sorry, Blame It On Me Akon

Ela tem tudo

Sempre ouvi isso, que tenho tudo. Eu estudei em boas escolas, me formei na faculdade e fiz pós graduação, eu falo três idiomas e viajei para muitos lugares. Eu tenho carro e moto e não tenho problemas financeiros, nunca deixei de fazer algo por não ter dinheiro. Eu tenho bons amigos e conheci muitas pessoas, eu sempre gostei de conhecer pessoas. Minha família me ama e cuida de mim. Todos dizem que eu tenho tudo e que não faz sentido eu querer morrer. Eu não sou ingrata, eu sempre agradeço a Deus por tudo que tenho, mas á um vazio, uma lacuna, um pesar que não passa, algo em mim, no intimo esta errado, não sei como concertar, não sei como explicar e não posso dizer as pessoas a minha volta que se esforçam tanto pra me ajudar que elas me sufocam, que eu quero sair daqui, que eu quero outro caminho, outra história. Não tenho respostas simples, tenho um emaranhado de dúvidas que eu nem quero descobrir a verdade, não quero lembrar o que exatamente aconteceu e me tornou essa pessoa insatisfeita. Não preciso encontrar um culpado, preciso encontrar algo que me faça seguir em frente.

Indiferença também mata. Precisamos falar sobre o suicídio.

Muitos me dizem que se eu quiser conversar estão a disposição, mas se quer conseguem mencionar a palavra suicídio

Diários da Kah

Setembro é o mês de prevenção ao suicídio. O tema é polêmico e por isso nem sempre é abordado, porém, acredito que precisamos falar sobre isso. Quer saber mais? Confira o artigo.

 

     Só quem sofre com os fantasmas criados por si mesmo sabe o tormento e a luta diária pela sanidade. A calmaria durante a tempestade, o silêncio dentro do furação, o sorriso disfarçado, a cicatriz escondida, a mentira que sufoca, a mente que violenta e molesta. A depressão nem sempre é fácil de ser percebida. As pessoas procuram assumir outra identidade a fim de ocultar o que sentem de fato, por medo, vergonha. Numa sociedade tão intolerante como a nossa, depressão é sinal de fraqueza, é desculpa esfarrapada, e isso faz com que o depressivo sinta-se culpado e impotente, incapaz de buscar ajuda para não ser julgado.

     O suicida não é burro, não…

Ver o post original 822 mais palavras