Desde a última tentativa de suicídio tenho apenas passado meus dias, sem planos, sem perspectiva, sem desejos ou sonhos, apenas passando o tempo sem prestar atenção em nada e dizendo a meus amigos e familiares que me sinto melhor e que tenho esperança de que coisas boas viram. Á pouco mais de um mês mudei de estado com a intenção de ficar longe da minha família, principalmente minha mãe e irmã. Neste local onde vivo à muitas pessoas que como eu tiveram um momento muito difícil na vida e tiveram que começar novamente, são pessoas atravessando o deserto da incerteza e cada um tem sua cota de tristeza e decepção, cada um tem um motivo para continuar. Nunca gostei de comparar a minha dor com as dos outros, pois somente quem esta sentindo é capaz de perceber a dimensão da sua própria dor, se por algum ponto de vista meus problemas parecem maiores ou menores que dos outros não me dou o direito de julga los. Semana passada enviei uma mensagem a um amigo que conheci neste local e ele me respondeu com um áudio onde ele explicava que estava na igreja ouvindo a palavra de alguém que ele admirou muito e neste áudio ele falava com tanta fé e alegria que não consegui prestar atenção ao o que ele dizia, pois o fervor das palavras dele me tocaram profundamente, me fazendo perceber que desde a última tentativa de suicídio fiquei com raiva de Deus, me senti rejeitada por ele, muitas vezes sozinha neste quarto frio perguntei a ele “O que estou fazendo aqui?” , mas aquela alegria que meu amigo sentiu, por causa da fé dele mexeu comigo e me fez ver o quanto sinto falta de acreditar em Deus, de fazer as pazes com ele. Decidi procurar uma igreja e fazer parte de uma religião. Quase em frente ao local onde moro á uma igreja católica, fui até lá e vi o dia e horário da missa e no domingo pela manhã fui até lá para enfim me encontrar com Deus e fazer as pazes, mas havia um recado na porta da igreja informando que ela estava de férias e que não haveria missa. Senti como se Deus tivesse me dado um bolo, mais rejeitada do que nunca, simplesmente achei que não fosse real, não poderia ser real, mas sim, a igreja fechou as portas pra mim. Passei todo o domingo andando pela cidade tentando entender o que tinha acontecido, se seria tarde demais pra mim, se havia algum sentido em tudo isso. Então o mesmo amigo me convidou para sair, fomos apenas nos dois(algo que não costuma acontecer) a uma pizzaria. Estava tão abalada com o que tinha acontecido que acabei contando tudo pra ele, sobre o áudio, minha tentativa de suicídio, minha tentativa de fazer as pazes com Deus e como me sentia idiota por estar passando por isso e desabafando com ele. A empatia dele me fez sentir muita esperança de que alguma coisa boa virá até mim, me fez querer tentar me aproximar de Deus outra vez e adiar o novo plano suicida. Sim, eu ainda penso em me matar, mas pela primeira vez eu quero tentar viver um pouco antes de planejar.

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